História

O lugar designado por Quinta das Calvanas, onde residiam aproximadamente três dezenas de famílias no final de 1973, após o 25 de Abril de 1974 e a Descolonização que se lhe seguiu, cerca de três centenas de famílias retornadas, por não terem conseguido junto dos governantes resolver o seu problema de habitação, escolheram aquele local para construir um novo lar e reunir a família que se encontrava dispersa, a viver em casa de familiares ou em hotéis e pensões pagos pelo Estado. De um momento para o outro, o Bairro ficou caótico e as condições extremamente precárias e degradantes, já que não havia água, esgotos, arruamentos, electricidade, telefone, comércio, etc.

Dada a gravidade da situação, era necessário fundar uma Associação de génese legal, capaz de representar e salvaguardar os interesses do Bairro e dos moradores e reivindicar os melhoramentos necessários junto das entidades oficiais.

Graças à persistência, dedicação e empenhamento de um dos membros da Comunidade de Calvanas, Manuel Meirelles, esse desejo foi concretizado no dia 17 de Junho de 1983, data em que foi lavrada no 7º Cartório Notarial de Lisboa a escritura de constituição.

Após a fundação, a AMBC não só resolveu a maioria dos problemas inerentes ao Bairro e aos moradores como também desenvolveu uma actividade intensa na área social, desportiva, recreativa e cultural, movimentando nas modalidades de atletismo e futebol de cinco, em masculinos e femininos, entre os 6 e 16 anos, cerca de 120 atletas, provenientes das diversas áreas residenciais das freguesias mais próximas, nomeadamente, Lumiar, Charneca e Ameixoeira.

Ao longo do ano, a Colectividade realizava provas de atletismo e torneios de futebol de cinco, campeonatos de malha e chinquilho, bilhar, damas, xadrez e sueca; realizava também o Baile da Pinhata, pelo Carnaval, com concursos de máscaras para crianças, jovens e adultos; realizavam-se todos os anos grandes Arraiais dos Santos Populares, Noites de Fado, Baile de São Martinho e Reveillon de Fim-de-Ano.

Foi até 2004 uma Colectividade de referência na Freguesia do Lumiar e o seu trabalho foi muitas vezes reconhecido e enaltecido pelo Executivo da Junta de Freguesia do Lumiar e da Câmara Municipal de Lisboa, entidades com as quais manteve sempre uma estreita colaboração.

Devido ao Processo de Realojamento, a AMBC esteve praticamente inactiva desde meados de 2004 até final de Agosto de 2010, porque no âmbito do Protocolo assinado com a CML relativamente à construção de um novo Bairro para realojamento das famílias associadas do Bairro de Calvanas, a Edilidade não concretizou uma parte do acordo celebrado, nomeadamente a construção de uma nova Sede, instalações desportivas e atribuição de um subsídio de 25.000 euros para, de certa forma, atenuar os prejuízos resultantes da demolição das instalações sociais e desportivas localizadas em Calvanas, já que a quase totalidade dos equipamentos ali existentes foram inutilizados.

Estas infra-estruturas tinham, em conjunto, uma superfície coberta de mais de 800 metros quadrados, recinto desportivo com medidas oficiais, servido por um conjunto de quatro balneários, cabine para árbitros e posto de socorros. O recinto de jogos era totalmente vedado e estava preparado para receber a cobertura.

Ao longo de mais de 12 anos, a Colectividade fez sucessivas obras e gastou naquelas instalações cerca de quarenta mil contos (200.000 euros), sem contar com a mão- de-obra dos seus associados que foi imensa.

Sem qualquer capacidade para, por si só, realizar as obras necessárias na loja que lhe foi atribuída para funcionar como Sede, a AMBC candidatou-se ao GIRO 2010, promovido pelo GRACE e teve a felicidade de ser contemplada. Esta acção contou com a contribuição de diversas empresas associadas do GRACE, em bens materiais e humanos e graças a essa significativa contribuição, foi possível realizar a primeira fase das obras da nova Sede da AMBC que incluíam o Bar Convívio, Sala de Jogos, Secretaria, Gabinete e duas casas de banho, com encargos financeiros na ordem dos 50.000 euros. Uma parte desta importância, gasta em materiais de construção diversos, foi assumida directamente pelo Secretariado do GRACE, enquanto que a aquisição de alguns materiais e parte da mão-de-obra, foi da responsabilidade da AMBC.

No dia 15 de Outubro de 2011, realizou-se uma jornada de trabalho de pintura da Sede, com cerca de 24 voluntários das  empresas ESSILOR ACCENTURE, ADVANCE CARE e  MONTEPIO, a qual decorreu de forma extraordinariamente positiva e animada e onde o espírito de entre-ajuda e solidariedade esteve sempre presente.

A cerimónia de inauguração da primeira fase das obras realizou-se no dia 15 de Abril de 2011 e contou com a presença de diversas entidades públicas e privadas, em ambiente de verdadeira festa, tendo constituído, sem dúvida, um marco importante no recomeço de nova etapa e no reatar das suas actividades.

Entretanto e dado que a AMBC se tinha candidatado ao Programa BIP/ZIP patrocinado pela Câmara Municipal de Lisboa, em parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa e a Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha do Lumiar com o Projecto C*3 em Movimento, direccionado para os seniores, contemplando o Transporte Solidário, Formação TIC, Ginástica Geriátrica, Artesanato e Formação de Rede de Voluntários para acompanhamento dos seniores, a AMBC viu-se obrigada a proceder à realização da segunda fase das obras no Salão de Festas, uma área com cerca de 200 metros quadrados, para conseguir o espaço necessário ao  desenvolvimento das actividades contempladas no C*3, nomeadamente, a formação TIC, a ginástica e o artesanato que estavam a funcionar precária e provisoriamente na Sala de Jogos.

Com grandes dificuldades, a AMBC deu início aos trabalhos referentes à segunda fase das obras, quase no final de Agosto de 2011 e em Outubro estavam praticamente concluídos, facto que permitiu fazer a transferência definitiva das actividades, da Sala de Jogos para o Salão de Festas.

Foi um grande esforço por parte da Direcção da AMBC que ainda não tinha saldado alguns compromissos assumidos com a realização da primeira fase das obras, reconhecendo que tal façanha só foi possível, porque uma grande percentagem dos associados teve um papel preponderante, ao contribuir com a importância de 200 euros, somando a campanha de angariação de fundos, uma verba aproximada de 14 mil euros; para além disso, alguns sócios também se disponibilizaram para adiantar o pagamento de um, dois ou mais anos de quotas, gesto que é de louvar e que também ajudou a solucionar a falta de verbas.

A Associação de Moradores do Bairro de Calvanas, embora tenha estado praticamente inactiva desde 2004 a 2010, por não ter tido capacidade económica para realizar obras de vulto na sua actual Sede, procurou sempre empenhar-se na resolução dos problemas do Bairro e dos moradores e, ao mesmo tempo, colaborar, sempre que possível com outras instituições da Alta de Lisboa. Foi com esse espírito que em 2008 patrocinou um Grupo Informal, no âmbito dos acordos de cooperação e parceria com a GEBALIS, em dois projectos que foram contemplados, de nome PEC Solidário e PEC Verão, tendo dado a cobertura legal para a referida candidatura e o acompanhamento do processo.

Actualmente, a Associação de Moradores do Bairro de Calvanas, mercê das condições criadas ao nível das instalações, no espaço de um ano, mais propriamente entre Setembro de  2010 e Outubro de 2011, encontra-se a funcionar em pleno, dando sequência à missão que presidiu à sua fundação e desenvolvendo projectos que tenham em conta as características e as necessidades da população da área geográfica em que se insere.

Processo de Realojamento do Bairro das Calvanas

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